histórico do grupo

O Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea foi criado no dia 4 abril de 1997, na Universidade de Brasília, com a intenção de ser um espaço aberto de discussão, produção crítica e interlocução sobre a literatura atual. Hoje ele reúne quase 40 professoras e professores de diferentes instituições do Brasil e do exterior, além de inúmeras/os estudantes de graduação e de pós-graduação.

As primeiras reuniões aconteciam no formato de um grupo de leitura, com encontros quinzenais, em que se discutia um romance recém-publicado e se buscavam caminhos para o estudo mais sistemático da produção contemporânea. Desde então, o principal foco de interesse do grupo já era a relação entre literatura e sociedade, pensada em suas múltiplas facetas. Outras preocupações foram incorporadas paulatinamente: a representação de grupos marginalizados, as transformações do campo literário brasileiro e o diálogo com outras expressões artísticas e com produções recentes de outros países, especialmente da América Latina. As linhas de pesquisa em que hoje se organiza – Estudos de gênero e diversidade sexual, Literatura e outras expressões artísticas, Parâmetros críticos contemporâneos, Representações de grupos marginalizados, Trânsitos migratórios e Vida literária no século XXI – refletem essa agenda de pesquisa.

As discussões iniciais eram publicizadas na forma de um boletim artesanal, que circulava entre integrantes do grupo e outras pessoas interessadas na área. Em 1999, o boletim foi substituído pelo periódico Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, que viria a se tornar a principal referência em sua área disciplinar. A revista começou como uma plaquette bimestral, em seguida passou a ser impressa no formato de um caderno, onde se publicavam alguns poucos artigos. Em 2003, assumiu o formato atual e, desde então, tem mantido regularidade em sua publicação, agora em edições quadrimestrais. Seu compromisso é fomentar o debate crítico sobre a literatura contemporânea produzida no Brasil, em suas diferentes manifestações, a partir dos mais diversos enfoques teóricos e metodológicos, com abertura para o diálogo com outras literaturas e outras expressões artísticas. Há um esforço permanente de divulgação visando, por um lado, diversificar a origem das/os colaboradores e, por outro lado, atingir um público-alvo leitor cada vez maior, pelo entendimento de que o conhecimento produzido no espaço acadêmico precisa circular de forma ampla e democrática. A revista é avaliada no Qualis Capes como A1 e está presente nos principais indexadores, como SciELO, Scopus, DOAJ, Redalyc, entre outros.

Ela vem publicando dossiês sobre diferentes aspectos do campo literário (n. 34) e do espaço social (n. 22, 42 e 49), observando, especialmente, as representações de grupos marginalizados, com foco em questões vinculadas a temas como gênero (n. 16 e 32), raça (n. 31) e classe (n. 21 e 41). Também foram abordados os diálogos e as fronteiras entre literatura e política (n. 43), literatura e memória (n. 14, 27 e 40), literatura e outras linguagens (n. 37), literatura e novas mídias (n. 47) e literatura e jornalismo (n. 17), por exemplo. Estiveram entre as preocupações da revista, ainda, questões mais específicas e, às vezes, menos valorizadas no campo acadêmico de Letras, como as poéticas da oralidade (n. 35) e a literatura infanto-juvenil (n. 5, 36 e 46), e mesmo discussões voltadas para a construção narrativa na contemporaneidade, como a permanência do realismo (n. 39) ou a personagem do romance (n. 26).

O grupo passou a realizar também uma série de atividades de extensão e de eventos acadêmicos para discutir a literatura brasileira contemporânea no Brasil e no exterior. Os encontros mais abrangentes são o Simpósio Internacional sobre Literatura Brasileira Contemporânea, que acontece sempre na Universidade de Brasília, e o Colóquio Internacional de Literatura Brasileira Contemporânea, realizado em diferentes instituições do exterior.

A primeira edição do Simpósio Internacional sobre Literatura Brasileira Contemporânea aconteceu em 2003, na UnB, com a participação de mais de 300 pessoas. Após uma interrupção de sete anos, em 2010 o encontro mudou de formato e passou a ser realizado anualmente. Optou-se pela redução do número de participantes e pelo seu envolvimento em todas as atividades do evento (nos encontros, não acontecem mesas paralelas). Com isso, foi garantido mais espaço para reflexão e debate, sempre ancorados nas pesquisas do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea. A partir de 2014, os encontros em Brasília passaram a ser bienais, uma vez que o grupo de pesquisa estava realizando também encontros em universidades no exterior.

Já foram organizadas seis edições do Colóquio Internacional de Literatura Brasileira Contemporânea.

 

O primeiro, em janeiro de 2012, aconteceu na Universidade de Paris-Sorbonne. O segundo, em março de 2013, foi realizado entre a Universidade de Paris-Sorbonne e o Instituto Ibero-Americano de Berlim, com organização da Universidade Livre de Berlim. O terceiro colóquio aconteceu na Universidade de Georgetown, em Washington, em abril de 2014. Já em 2015, foram realizados dois colóquios, um entre a Universidade de Paris-Sorbonne e a Universidade de Oxford, em janeiro, e outro na Universidade de San Martín, em Buenos Aires, em outubro. Por fim, em fevereiro de 2016, aconteceu o sexto colóquio na Universidade de Santiago de Compostela. Com esses eventos, o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea vem criando, efetivamente, uma rede internacional de pesquisadores, que se encontram regularmente para debater trabalhos em andamento, realiza pesquisas conjuntas, publica e auxilia na orientação de estudantes da pós-graduação.

Encontros mais focados, como os Seminários de Pesquisa, as Jornadas de Gênero e Literatura, as Jornadas Literárias de Autoria Negra, as Jornadas de Estudos sobre Literatura Infantil e Infância, as Jornadas de Estudos sobre Romances Gráficos e as Jornadas sobre Crítica Literária, entre outros, acontecem de forma mais esporádica e suprem a necessidade do debate mais amplo sobre pesquisas em andamento.

A mais recente pesquisa conjunta concluída era intitulada “Configurações do espaço na literatura brasileira contemporânea” e, no momento, suas pesquisadoras e seus pesquisadores estão envolvidas/os em um projeto coletivo que pretende refletir sobre as diferentes formas de resistência, política e estética, empreendidas no interior e nas cercanias da literatura brasileira recente.

Em comemoração a seus 20 anos, o Grupo de Estudos em Literatura Contemporânea lançou, em 2017, as Edições Carolina, um selo editorial sem fins lucrativos que pretende reunir trabalhos de crítica literária e sobre a vida cultural contemporânea. Os livros serão disponibilizados por um preço simbólico, exclusivamente em formato digital, pela Amazon.