Igor Ximenes Graciano

 

Professor adjunto de Teoria da Literatura da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), é mestre em Literatura pela UnB e doutor em Estudos de Literatura pela UFF. Desenvolve pesquisas a respeito do escritor como personagem, com enfoque nas relações entre a ficção e os discursos biográfico, crítico e político na prosa romanesca contemporânea. 

Contato: igor.graciano@unilab.edu.br / ixgraciano@gmail.com
 

Currículo Lattes 

Projeto de pesquisa

Crítica literária e ficção: estratégias e configurações do discurso crítico no romance brasileiro recente

Tomando-se por objeto narrativas romanescas desta última década, pretendemos mapear e analisar diferentes estratégias do discurso crítico na ficção literária brasileira mais recente. A partir da evidência de que o escritor é o personagem mais frequente nessa produção romanesca, será empreendida uma leitura dos textos no sentido de se compreender como se dá o trabalho crítico em um âmbito que, a princípio, não é propício para isso, devido ao distanciamento normalmente estabelecido, no pacto romanesco, entre narrador ficcional e autor empírico. Para isso, foram escolhidos romances de três autores representativos desse cenário, os quais, além do trabalho ficcional, têm promissora carreira como professores e ensaístas, detêm algum reconhecimento da crítica especializada, com indicações em prêmios nacionais importantes, e que trazem como protagonista de suas narrativas o escritor-personagem de traço marcadamente autobiográfico.

 

São eles: Ricardo Lísias (Divórcio), Jacques Fux (Antiterapias) e Júlian Fuks (Procura do romance). Uma vez que a ambiguidade entre os registros ficcional e biográfico nessas obras tensiona sua recepção, e tendo-se por referência teórica a revisão do conceito de mímesis por Luiz Costa Lima e os estudos de pragmática do discurso literário de Maingueneau, Alberca e Meizoz, pretende-se pesquisar os seguintes aspectos: a) responsabilidade ética e intelectual do autor na ficção; b) alcance e validade dos argumentos críticos inscritos no romance; e c) estratégias de autolegitimação e de pertencimento autoral a uma tradição literária. Trata-se, portanto, de investigar o duplo caráter dessas narrativas, que são objetos acabados, no sentido estático de “obra”, e afirmação de uma assinatura, no sentido dinâmico de peças retóricas imbuídas de marcar ou defender um lugar no (restrito) universo das letras. Atrelada à pesquisa A crítica literária em periódicos brasileiros contemporâneos, coordenada pela profª Regina Dalcastagnè e financiada pelo CNPq, busca-se, com este projeto, estabelecer uma comparação entre a crítica inscrita na ficção e os resultados da crítica acadêmica praticada nas principais revistas universitárias voltadas para a literatura. Tal pretensão se justifica pelo fato de os autores estudados atuarem nessas duas dimensões, visto que suas obras são híbridos dos anseios acadêmico e artístico.

Textos

Escritor-personagem e leitor cúmplice em Sérgio Sant’Anna

A encenação do gesto literário

 

O sujeito-escritor e as transformações do campo literário: o caso Cristovão Tezza  

 

Autorrepresentação e metamorfose na prosa de João Gilberto Noll

 

Resenha de O gato diz adeus, de Michel Laub

 

Literatura enquanto gesto: memória e ficção em dois romances de Miguel Sanches Neto